A ALB Sindicato realizou nos dias 13, 14 e 15/08 o Encontro de Funcionários de Escolas na cidade de Eunápolis. O evento buscou discutir e potencializar a importância desses servidores nas ações educacionais e no desenvolvimento de uma educação pública de qualidade.
Ao longo da história da educação brasileira,
os funcionários e funcionárias que atuam nas escolas desempenham papel
fundamental para o funcionamento das instituições e para a garantia do direito
à educação. Entretanto, apesar da relevância de suas funções, esses
trabalhadores ainda enfrentam processos históricos de invisibilidade,
desvalorização e, muitas vezes, exclusão dos debates estratégicos relacionados
à organização e ao desenvolvimento da educação pública.
É preciso superar definitivamente a concepção
de que os trabalhadores de apoio são apenas responsáveis por atividades
secundárias ou complementares. A escola não funciona somente pela ação daqueles
que estão em sala de aula. Ela é resultado de um trabalho coletivo, no qual
cada profissional possui uma função indispensável.
Merendeiras, porteiros, auxiliares de serviços
gerais, secretários escolares, agentes administrativos, profissionais de apoio,
técnicos e tantos outros trabalhadores participam diariamente da construção do
ambiente escolar. São profissionais que acolhem os estudantes, garantem a
alimentação escolar, organizam documentos, cuidam dos espaços, contribuem para
a segurança, estabelecem relações com as famílias e colaboram para que as
atividades pedagógicas aconteçam com qualidade.
Portanto, não existe educação de qualidade sem
a valorização de todos os trabalhadores que fazem a escola funcionar.
Nesse processo histórico de reconhecimento, a
Lei Federal nº 12.014/2009 representa um marco importante, ao alterar a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional e reconhecer formalmente categorias de
trabalhadores que exercem funções não docentes como profissionais da educação,
desde que atendidos os requisitos legais. Esse reconhecimento contribuiu para
romper, ainda que parcialmente, com a histórica invisibilidade desses
trabalhadores e fortaleceu a compreensão de que a educação é construída por diferentes
sujeitos e saberes.
Ser reconhecido como profissional da educação
significa compreender que o trabalho realizado dentro da escola também possui
dimensão educativa. Cada trabalhador, independentemente da função que exerce,
estabelece relações com os estudantes e contribui, direta ou indiretamente,
para a formação humana, para a convivência democrática e para a construção de
uma escola pública socialmente referenciada.
Nesse sentido, é fundamental fortalecer a
formação profissional dos trabalhadores da educação. A experiência do Profuncionário,
defendida pelo movimento sindical, especialmente pela APLB-Sindicato, demonstra
a importância de oferecer formação específica e permanente aos profissionais
que atuam nas áreas de apoio administrativo, técnico e operacional. Ainda que
essa política não tenha sido efetivamente implantada nos municípios da
forma como deveria. A luta contribuiu para ampliar o debate e fortalecer o
reconhecimento desses trabalhadores como integrantes do processo educativo.
Também precisamos reconhecer a importância da
organização sindical. A APLB-Sindicato tem papel fundamental nessa trajetória
porque sua atuação deve compreender a educação como um todo e defender a
valorização de todos os profissionais que constroem diariamente a escola
pública.
Essa luta ganhou uma nova dimensão com o Projeto
de Lei nº 2.531/2021, que propõe instituir um piso salarial profissional
nacional para os profissionais da educação básica pública que exercem funções
de apoio administrativo, técnico ou operacional. O projeto avançou
significativamente: foi aprovado na Câmara dos Deputados, teve sua redação
final aprovada em março de 2026 e foi encaminhado ao Senado Federal.
Atualmente, encontra-se em tramitação no Senado, na Comissão de Educação e
Cultura, aguardando a designação de relator.
Esse avanço precisa ser compreendido como
resultado da mobilização dos próprios trabalhadores e de suas entidades
representativas. O PL nº 2.531/2021 representa uma possibilidade concreta de
avançarmos na construção de uma política nacional de valorização dos
profissionais não docentes, enfrentando desigualdades históricas de remuneração
e reconhecimento.
Mais do que discutir salário, estamos
discutindo dignidade profissional, reconhecimento, carreira e valorização
social. A existência de um piso nacional para esses trabalhadores
representa o reconhecimento de que a qualidade da educação pública também
depende das condições de trabalho daqueles que, todos os dias, sustentam o
funcionamento das escolas.
Por isso, nossa luta precisa continuar.
Precisamos defender planos de carreira estruturados, formação continuada,
condições adequadas de trabalho, remuneração digna, valorização profissional e
participação efetiva dos trabalhadores de apoio nos espaços de discussão e
decisão da política educacional.
Da mesma forma, precisamos fortalecer a
compreensão de que nosso plano de carreira é uma construção coletiva. Não
podemos permitir que trabalhadores da educação sejam divididos entre aqueles
que são considerados mais importantes e aqueles que são tratados como
secundários. A escola é um espaço coletivo e a valorização precisa alcançar
todos os seus profissionais.
Nesse processo, é indispensável contar também
com o apoio e a compreensão dos professores. A defesa da valorização dos
profissionais de apoio não diminui a importância do trabalho docente; ao
contrário, fortalece toda a categoria e amplia a luta em defesa da educação
pública.
Precisamos, portanto, unir forças, ampliar a
participação, fortalecer a consciência profissional e sindical e combater
qualquer forma de invisibilidade, discriminação ou desvalorização dentro do
espaço escolar.
É importante reafirmar: a APLB-Sindicato
não representa apenas os professores. Representa uma categoria ampla de
trabalhadores da educação, formada por profissionais que, em diferentes
funções, contribuem para que a escola cumpra sua função social.
Que possamos transformar o aprendizado desse
encontro em organização, participação e luta. Que os trabalhadores de apoio
compreendam cada vez mais a importância do seu papel e ocupem os espaços que
lhes pertencem na construção das políticas educacionais.
Educação se constrói coletivamente.
Valorização também.
Nossa luta é por reconhecimento, por direitos,
por carreira, por dignidade e por uma educação pública verdadeiramente
democrática e socialmente comprometida.
Gratidão a servidora pública e coordenadora da
APLB Núcleo Caém, por representar os trabalhadores da Educação de Caém na
cidade de Eunápolis, estendemos nosso reconhecimento ao professor Rui Oliveira
diretor licenciado por sua luta em defesa dos trabalhadores da Educação.



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